O crescimento dos navios porta-contêineres pressiona os portos brasileiros a adaptar canais, terminais e conexões terrestres. Segundo o Portogente, os principais portos do país já recebem embarcações de aproximadamente 366 metros e 15 mil TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A frota mundial, porém, já conta com navios de 400 metros e capacidade superior a 24 mil TEUs.
A diferença não se resolve apenas com espaço para atracar. Ouvido pelo veículo, o especialista em Direito Marítimo e dos Transportes Baudilio Gonzalez Regueira destaca que grandes escalas concentram milhares de contêineres em poucos dias. Isso exige capacidade de atendimento nos berços, guindastes e pátios, além de condições para escoar as cargas por rodovias e ferrovias.
Santos ilustra essa pressão. Conforme dados da Autoridade Portuária de Santos reproduzidos pelo Portogente, o complexo movimentou 109,5 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 3,6% sobre o mesmo intervalo de 2025. Nos contêineres, foram 3,47 milhões de TEUs, avanço de 3,9%. O veículo relata filas de navios e terminais operando no limite.
Uma das respostas é o aprofundamento do canal. De acordo com o Portogente, a APS contratou, em junho de 2026, investimento de aproximadamente R$ 618 milhões para ampliar a profundidade de referência de 15 para 16 metros. A intervenção prevê retirada de sedimentos e busca permitir que as embarcações transportem mais carga por escala.
A preparação também envolve procedimentos e treinamento. Segundo o BE News, os estudos da USP para grandes porta-contêineres em Santos começaram em 2014, e a primeira embarcação de 366 metros chegou em 2024. O processo incluiu simulações, mudanças normativas e obras, além de medidas como reforço das amarrações em berços críticos e uso de rebocadores em determinadas situações.
Para importadores, exportadores e operadores, a integração dessas estruturas influencia a manutenção de conexões marítimas diretas. Na avaliação de Regueira apresentada pelo Portogente, restrições operacionais podem levar armadores a reduzir a carga por escala ou alterar rotas, aumentando o risco de dependência de transbordos em portos internacionais.
Por que isso importa?
A capacidade de atender grandes navios influencia o escoamento das cargas e a manutenção de rotas marítimas diretas.
Fontes: Portogente, BE News, YouTube