Empresas brasileiras estão combinando inventários de emissões, energia renovável, substituição de combustíveis e compensação de carbono enquanto avança a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Segundo o Portogente, na logística e nas operações portuárias, essas medidas incluem mudanças no transporte de cargas e eletrificação de equipamentos.
Criado pela Lei nº 15.042/2024, o sistema terá implementação em cinco fases. O veículo informa que o governo trabalha para publicar as normas infralegais até dezembro de 2026. A proposta preliminar da Fazenda prevê a entrada dos transportes rodoviário, ferroviário e aquaviário em 2031. Inicialmente, a exigência seria de relato de emissões, sem custo imediato ou meta de redução.
Na Brado Logística, as ações incluem energia com certificação renovável, caminhões a gás natural liquefeito (GNL) e transporte multimodal. Conforme os dados da companhia apresentados pelo Portogente, a mudança de modal evitou cerca de 306,5 mil toneladas de emissões de clientes em 2025. A empresa também informou a compensação de 2.822 toneladas com créditos da Usina Hidrelétrica Jirau.
No Porto de Santos, a DP World opera 22 guindastes de pátio, conhecidos como RTGs, totalmente elétricos. A operadora estima evitar 4.250 toneladas de CO₂ por ano quando outros 15 equipamentos entrarem em operação. Já a Santos Brasil iniciou a substituição de RTGs a diesel por elétricos em 2023, com meta de reduzir em 97% as emissões desses equipamentos, segundo a reportagem.
Em outros setores, medição e compensação também integram as estratégias. O inventário da Algar indica redução de 44,8% nas emissões totais entre 2021 e 2025. A Tintas Verginia combina eficiência energética, gestão de resíduos e melhorias logísticas. A Vinícola Aurora prevê compensar cerca de 2.725 toneladas de CO₂ equivalente em 2026, volume ainda sujeito a validação.
Os resultados exigem atenção à origem dos dados: o Portogente ressalta que os números foram fornecidos pelas próprias empresas e que parte do material veio de uma prestadora de serviços de compensação. O GNL continua sendo combustível fóssil, apesar da redução informada frente ao diesel. Para os portos, permanece indefinido o enquadramento de terminais e operações no transporte aquaviário; também falta definir quais créditos serão aceitos no cumprimento das obrigações do SBCE.
Por que isso importa?
A regulamentação envolve o futuro relato de emissões dos transportes, enquanto operadores logísticos e portuários já adotam mudanças em energia, equipamentos e combustíveis.
Fontes: Portogente, Reset