O encerramento da quimioterapia e da radioterapia pode não encerrar o medo de que o câncer de mama volte. Em reportagem da Agência Brasil sobre o Outubro Rosa, a psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira destaca que o apoio emocional pode precisar continuar, assim como o acompanhamento médico, respeitando o tempo de cada mulher.
Segundo Laís, a redução do contato frequente com profissionais de saúde marca uma etapa de incertezas. Familiares e amigos também podem retomar suas rotinas e se afastar, enquanto a paciente enfrenta o receio da recidiva e da solidão. Exames de acompanhamento podem provocar medo, e dores ou alterações no corpo podem ser interpretadas como sinais de retorno da doença.
A psicóloga lembra que muitas pacientes seguem usando medicamentos por até cinco anos e podem apresentar fadiga. Cicatrizes, retirada ou reconstrução da mama e mudanças na disposição também podem afetar a autoestima, a sexualidade e a intimidade. Para ela, o suporte emocional ajuda a reconstruir a confiança na vida, sem prometer eliminar todas as incertezas.
A experiência de Josiane Fernandes, de 48 anos, moradora de Volta Redonda, ilustra essa dificuldade. À Agência Brasil, ela relatou que passou por cirurgia, quimioterapia e imunoterapia durante cerca de um ano e três meses. Também enfrentou depressão e precisou de tratamento. Mesmo após concluir o tratamento do câncer, conta que consultas e exames ainda despertam pânico e lembranças do período vivido.
Já a mastologista e radiologista Renata Reis Pinto, com atuação no Instituto Nacional de Câncer (Inca), ressalta a importância do atendimento multidisciplinar durante o tratamento. Ela cita o apoio de assistência social para questões relacionadas aos filhos e ao trabalho, além da psico-oncologia para avaliar a intensidade do medo. A médica observa que os estigmas associados ao câncer de mama ainda geram dúvidas e insegurança diante do diagnóstico.
Por que isso importa?
Destaca necessidades emocionais que podem persistir após o tratamento do câncer de mama.
Fontes: Agência Brasil, O POVO